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Confira a entrevista do prefeito ao Diário Centro Nordeste

Na manhã de terça-feira, dia 16 de abril, o prefeito de Guanhães, Geraldo José Pereira, o Ladinho (PP), fez uma retrospectiva dos seus primeiros 100 dias de governo e uma projeção para os seguintes 1.321 dias que estará a frente do Executivo municipal. Demonstrando forte otimismo, Ladinho deixou claro seu espírito empreendedor, garantindo que a cidade será um canteiro de obras, como nunca visto anteriormente. Entre os seus planos estão a construção de um Centro Esportivo, o Teatro Municipal, asfaltamento de todas as ruas da cidade, ampliação do Hospital Imaculada Conceição, construção do Parque de Exposições, entre outros. A entrevista foi exclusiva.

capa diário psitePrefeito, o senhor tomou posse já encontrando dificuldades com o caixa da Prefeitura, o que gerou atraso na Folha de Salários e certo desconforto político. Qual foi a real necessidade de realizar a auditoria nas contas do governo anterior?

 - De início, o prefeito anterior deixou uma imagem de que a Prefeitura estaria sanada, com dinheiro em caixa e, quando chegamos, vimos que a realidade era completamente diferente. Nós não conseguimos fazer os pagamentos e o povo de uma maneira geral, não acreditava que a Prefeitura não tinha dinheiro, tamanha a confiança que o prefeito anterior conseguiu passar para a cidade, que ninguém acreditava e achava que estávamos escondendo o dinheiro em alguma conta. O contador da época esteve ausente por muito tempo, mas a principal razão foi a de nos proteger. A administração passa a ser da minha responsabilidade a partir da auditoria. A auditoria nos deu uma visão da realidade e com o que nós poderíamos contar realmente.

 Como e em que o resultado da auditoria gerou impacto no seu planejamento do governo?

 - Antes nós achávamos que havia dinheiro [em caixa disponível para custeio e folha de salários]. Descobrimos depois que algumas obras em andamento estavam com irregularidades, como a rua Dr. Odilon Behrens que até hoje a construtora não concluiu os serviços; outra obra, a do Posto de Saúde, para a qual não ficou nem verba orçamentária prevista em torno de R$ 400 mil. Então isto dificultou nossa programação. Falaram tanto que iríamos atrasar a folha [de salários da Prefeitura], que tivemos que nos prevenir para chegarmos ao fim do ano em condições de pagar o 13º sem qualquer problema. Estamos pagando a folha do mês, que já recebemos muito alta, e amortizando o empréstimo feito junto ao SAAE para pagar a folha de dezembro. Está muito difícil, não temos sobra de dinheiro, o Fundo de Participação dos Municípios tem caído e tudo isto dificulta a nossa programação. Nosso planejamento [de novos investimentos] estão voltados para o final de 2013 e início de 2014.

Prefeito, há um ditado popular que diz: quem casa com viúva, herda os filhos. O senhor recebeu dívidas da gestão anterior, mas também recebeu obras em andamento e vários convênios assinados e com dinheiro em caixa para parte de suas execuções. Quais deles o senhor terá condições de executar ou concluir?

 - O que tem dinheiro em caixa mesmo é para o Teatro, mas o valor não é suficiente. Este nós teremos dificuldade de iniciar, porque a contrapartida do município é muito grande. Para resolver a questão, o secretário da Cultura, Adriano, está indo a Brasília para tentar aumentar o valor do convênio para que a Prefeitura possa executá-lo. A conclusão da avenida [que liga Bairro Nossa Senhora Aparecida ao Bairro Almas] depende da construção de uma ponte. O serviço de pavimentação foi muito mal feito, já está se desgastando e como foi pago com recursos próprios do município, hoje teremos que gastar mais dinheiro do município para corrigir os problemas. A reforma do Centro de Saúde Municipal [Posto de Saúde Central] está em andamento, embora em ritmo mais lento. A UPA é o mesmo problema. O convênio é de R$ 2 milhões e a obra ficará está orçada em mais de R$ 3 milhões. A Farmácia, a empreiteira fez um serviço muito mal feito, alega que já terminou e os engenheiros da Prefeitura, tanto o anterior quanto o atual, não aceitaram receber a obra. Quanto ao SAMU, pelo Consórcio Aliança, o projeto já está bem adiantado e deverá ser inaugurado até o final do ano.

 O PSF do Colina Verde terá a destinação original para a qual foi construído?

 - Sim. As linhas de ônibus de transporte municipal já estão passando pelo bairro para facilitar a chegada dos pacientes que antes eram atendidos no Posto Central.

 Como o senhor pretende reduzir ou acabar com as filas nos PSF's?

 - Este é um problema difícil de resolver a curto prazo por causa da falta de ofertas de profissionais. Precisamos de mais médicos para reduzir as filas. Com o Dezinho [José Geraldo Ventura] na Saúde, em cada dia estamos diminuindo um problema.

Guanhães poderá vir a passar por um surto de desenvolvimento com a chegada das mineradoras. Em geral os problemas, como aumento da criminalidade, chegam primeiro. Como a cidade está se preparando para enfrentar esta situação, nos aspectos de moradia, saúde, escolas e saneamento?

 - Marcamos uma reunião com a Centaurus e vamos marcar um encontro com os diretores da MIB. Já estamos nos prevenindo. Eles perguntaram se o SAAE está preparado para receber algo em torno de 5 mil operários. Eu acredito que têm. A Saúde é o que mais nos preocupa; estamos trazendo aqui o secretário de Saúde, no próximo dia 10, vamos levá-lo até ao Hospital Imaculada Conceição para que ele possa conhecer a realidade e iremos apresentar a ele um documento pedindo ampliação e equipamentos. Já criamos uma Comissão que vai seguir passo a passo a implantação destas mineradoras. A Centaurus já está minerando em São João Evangelista e vem para Guanhães em breve. A MIB também iniciará os serviços em breve.

Para atender o aumento de demanda por causa das mineradoras, haverá necessidade de maior fornecimento de água. Existe uma queda de vazão do ribeirão Graipú, em função de redução nas nascentes que o abastecem. O senhor tem algum plano para resolver esta questão?

 - Já existe um trabalho em anos anteriores que prevê a recuperação e preservação das nascentes nas propriedades. Já conversei com o diretor do SAAE para ele estudar uma maneira de incentivar o pessoal a proteger as nascentes. Creio que haverá uma solução.

 Como fica o convênio para construção e funcionamento da Estação de Tratamento de Esgoto do SAAE?

 - Isto está sob controle. A ETE já está pronta e só falta agora a ligação dos emissores. Esta rede iria passar antes pela avenida e o SAAE já conseguiu autorização para instalála nas margens do ribeirão. Assim evitaremos custos e um grande transtorno para os moradores da cidade e das cidades vizinhas que utilizam esta rodovia que atravessa Guanhães.

 Quais foram os principais tópicos do Planejamento Estratégico? Quais foram as marcas e os eixos escolhidos?

 - Primeiro levantamos o que as pessoas mais querem. Para nossa surpresa, não é nem a questão da saúde nem a educação. O que o pessoal mais pede é asfalto. Estamos levantando recursos no BDMG para conseguir asfaltar todas as ruas de Guanhães. Na verdade, já começamos pelo bairro Vista Alegre, onde estamos aproveitando restos de um convênio no valor de R$ 200 mil. Fiz um compromisso de asfaltar a Rua do Pito e vamos cumprir, mesmo que muita gente não acredite nesta minha promessa. Vamos começar do final para o centro. Outro ponto está ligado ao esporte. Vamos construir um Centro Esportivo onde hoje é o campo do XV de Novembro, ao lado do Colina Verde. O projeto é muito bonito. Este é um antigo pensamento meu. Estamos adquirindo uma área para construir um Parque de Exposições com pista para caminhada e construiremos um campo de futebol para atender a demanda do esporte que é muito grande. Vamos construir também um Teatro Municipal em uma área que a Prefeitura tem aqui perto [do Paço Municipal]. O projeto já está bem adiantado.

Sua liderança regional e forte apoio em níveis estadual e federal é que estão garantindo os recursos necessários para estes convênios que o senhor está citando, principalmente com relação ao asfalto?

 - Sem dúvida. Esta ligação com os governos é que estão permitindo esta certeza. O dinheiro para asfaltar o Pito, pelo menos do final até a Escola Municipal Pio Nunes Coelho já estão assegurados e dependem de pequenos detalhes para chegar. Nosso objetivo de ampliar, reformar e equipar o Hospital, também já está em andamento.

 A doutora Mayre [vice-prefeita] está responsável por fazer o levantamento, junto aos médicos, das necessidades do Hospital. Já recebemos uma motoniveladora e uma retroescavadeira vindas do governo federal para onde também estamos encaminhando solicitações de outros recursos, que nos garantirá condições de realizar todas estas nossas pretensões. A população vai se surpreender com tantas obras.

 O empréstimo contraído junto ao SAAE no valor de R$ 1,5 milhão, autorizado por Lei Municipal, já está sendo pago?

 - A primeira parcela foi paga com recursos do caixa geral da Prefeitura, mas as demais serão pagas conforme previsto na Lei aprovada pelos vereadores. Como este recurso só poderá ser usado para fins de iluminação e eletrificação, o SAAE fará obras dentro deste objetivo para aplicar os valores recebidos da Prefeitura.

 Ficou uma dúvida no ar com relação à contratação de uma cooperativa de transportes para o transporte escolar dos estudantes rurais.  A cidade comentou que o senhor estava trazendo uma empresa da Bahia.

 - Houve uma licitação e alguém tinha que ganhar. Eu nem conhecia a empresa. Eles chegaram e manifestaram o interesse em participar. Eu achei viável [o resultado da licitação] porque não vamos  prejudicar ninguém [os transportadores autônomos e pequenas empresas que faziam o transporte anteriormente]; vai continuar a mesma turma, sendo que teremos oportunidade para mais pessoas. Todos tiveram oportunidade de participar, inclusive adversários que estão com ônibus circulando em algumas linhas.