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História de Guanhães

Autor: Roger Rocha – Membro do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico

A primeira vez que se ouve a palavra Guanahã foi em 1690. Um bandeirante conhecido como Antônio Ferreira Bravo relata, na volta de sua bandeira, que estivera nas terras dos guanahãs.

O interesse por essas terras é despertado em 1752, quando se descobriu ouro no ribeirão Graipú, encontro com o córrego Madeira, pelo bandeirante João de Azevedo Leme.

Em 1791, oriunda do ribeirão Axupé, Morro do Pilar, chega a uma elevação entre os ribeirões Bom Sucesso e Vermelho, a família de José Coelho de Magalhães, sua esposa Eugênia Rodrigues da Rocha e seus filhos, dentre eles José Coelho da Rocha, com idade entre 9 e 10 anos, com o intuito de iniciar uma povoação. Edificaram uma residência, construíram uma capela em honra a Nossa Senhora do Rosário, e uma torre de vigia que era usada para anunciar ataque de índios.

A família e os demais moradores do local viveram em paz nos três primeiros anos, quando os índios retornaram exigindo seu território. Eles entraram em conflito e os colonizadores foram obrigados a se retirar do local, procurando refúgio no antigo São Domingos do Rio do Peixe, hoje cidade de Dom Joaquim. Lá, aguardaram reforço vindo da antiga Vila do Príncipe, hoje cidade do Serro.

Ao retornarem para o povoado, o encontram destruído e a igreja queimada. Então, eles decidem reconstruir tudo e a vida volta ao normal por algum tempo, quando os índios novamente atacaram. Desta vez, os colonizadores obtêm vantagem sobre os indígenas, mas mesmo assim, a Capela é novamente incendiada. Os colonizadores não desanimaram. Reconstruíram a igreja e a vida voltou ao normal, mais uma vez.

Segundo relatos de antigos moradores de Guanhães, em 1808, chegou a notícia de que uma autoridade eclesiástica visitaria a Província de Minas Gerais e que fora determinado que toda a localidade que não possuísse uma cruz defronte de sua igreja ou Capela deveria tomar as devidas providências. Então, no dia 18 de agosto de 1808 foi erguida a Cruz, que ficou conhecida como a Cruz dos Fundadores.

A História de Guanhães sempre foi contada a partir de São Miguel. “Apagaram a história de Nossa Senhora do Rosário na cidade. Por quê?”

José Coelho da Rocha edifica uma Ermida (uma pequena igreja) em homenagem a São Miguel e pede a Dom João VI um Alvará para construir uma igreja maior. Ele o obtém em 1811. A igreja de São Miguel e Almas foi autorizada por Alvará Régio de D. João IV, de 26/01/1811, sendo instituída canonicamente pela Provisão de 17/06/1828, concedida a Pia Batismal em 24 de setembro do mesmo ano, a paróquia foi criada em 14/07/1832, sendo o seu primeiro vigário o Pe. Firmiano Alves de Oliveira, que se empossou no dia 30 de agosto de 1834.

Curiosidades

A Cruz do Morro do Cruzeiro: Contam alguns antigos moradores, que o primeiro morador do Morro do Cruzeiro foi um escravo forro de nome Prudêncio. O terreno pertencia a Antônio Rodrigues Rocha, que foi um fervoroso devoto de Santa Cruz, criando, com isso, a irmandade da mesma, edificando um cruzeiro de braúna, doando o espaço no entorno da cruz para a Igreja Católica, e iniciando o Bairro que atualmente se denomina Alto do Cruzeiro.

Bairro Pito: Uma das ruas mais antigas de Guanhães, a antiga Rua Marquez do Herval, hoje está dividida em três denominações: Getúlio de Carvalho, Gabriel Lott e Bruno Glória. Antigamente, vários moradores da rua Marquez do Herval tinham como meio de sobrevivência a fabricação de cigarros de palha e palhas para cigarro, popularmente conhecido como pito. Daí a origem do apelido da rua.