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E assim começou Guanhães...

FONTE: Cartilha do Cidadão - Edição 99

Pelos anos de 1752, o sertanista João de Azevedo Leme, que residia no Rio Manso, vinha cascalhando por conta própria, juntamente com outros companheiros, os sertões do nordeste da Província à cata do descobrimento do ouro.

Em uma dessas incursões, tendo saído de Rio Manso, alcançou as cabeceiras do Rio Araçuaí, subiu as nascentes até a Cordilheira Geral, transpôs e desceu esta Serra, pesquisou rios, córregos e ribeirões até encontrar o Rio Vermelho e por este desceu até a Barra do Rio Turvo Grande, cujas águas sujas faziam barro no Rio Vermelho.

Deteve-se nessas paragens e no decurso de alguns meses, verificou que estas águas continuavam sempre turvas, o que lhe pareceu demonstrar que serviços de mineração estariam sendo realizados no seu percurso por pessoas ou negros refugiados em Quilombos e que não estariam sendo molestados, porque nessa região, em muitas léguas de circunferência, não havia povoações e nem moradores.

Não dispondo de forças e nem de armas, não se achava em condições de continuar suas investigações e por isso resolveu retroceder ao Rio Manso, com o fim de requerer ao Senado da Vila do Príncipe (hoje cidade do Serro), não só a concessão de ajuda de custo e de fornecimento de munições para se defender

O Senado da Câmara tomando em consideração o requerimento em que ele descrevia as suas andanças e suas aventuras, as suas esperanças e os seus objetivos, celebrou com o mesmo um acordo cujo termo foi registrado no livro da Câmara da Vila do Príncipe em 17 de fevereiro de 1752

Dando cumprimento aos termos do acordo celebrado com o Senado da Camarada Vila do Príncipe, João de Azevedo Leme encontrou, no mesmo ano de 1752, aluviões auríferos nas cabeceiras do Rio Suaçuí Pequeno, em um ribeirão por ele denominado Córrego das Almas e cujas nascentes ficam na sede do Município de Peçanha.

Realizado este descobrimento, teria prosseguido com suas andanças a fim de fazer descobertas e conquistar novos direitos de explorações

Teria então, seguido a direção oeste da Serra divisora das vertentes dos Rios Suaçuí Pequeno e Corrente com as do Rio Suaçuí Grande donde procedera, indo encontrar novos vestígios de aluviões auríferos no ribeirão Graipu, afluente do Correntes, nas proximidades da atual cidade de Guanhães.

As minerações dos aluviões auríferos dos afluentes dos Rios Suaçuí Grande, Pequeno e Correntes, não prosperaram, não só porque eram elas possantes, mas ainda porque os ferozes Botocudos e outras tribos, atacavam os mineradores.

Somente a partir de 1807, quando o Governador da Província procedeu à instalação de um quartel em Peçanha, munido de homens e armas, foi iniciada, verdadeiramente, a penetração e o povoamento das matas.

É considerado como primeiro povoador das terras de São Miguel, atual cidade de Guanhães, José Coelho Rocha, procedente da freguesia do Morro do Pilar, entre os anos de 1811 e 1820.

A capela de São Miguel e Almas foi erguida por Alvará Régia de D. João VI, de 26/01/1811, sendo instituída canonicamente pela Provisão de 17/06/1828 e concedida a Pia Batismal em 24 de setembro do mesmo ano; a Paróquia foi criada em 14/07/1832, sendo seu primeiro vigário o Pe. Firmiano Alves de Oliveira, que empossou-se no dia 30 de agosto de 1834.

Também são considerados fundadores de Guanhães, Manoel de Oliveira Rosa, Joaquim de oliveira Rosa e Faustino Xavier Caldeira que, entre os anos de 1815/1821 doaram ao arcanjo São Miguel, terrenos situados entre os ribeirões Bom Sucesso e Vermelho.

Dado ao processo alcançado, São Miguel e Almas foi elevado a Distrito no ano de 1828; em 1834 o inglês Edward Jacobson Lott, fundou uma mineradora, a The Candonga Gold Mining Ltda, para exploração da mina do Candonga, tendo a mesma funcionado até ano de 1845.

Em 23 de março de 1840, a freguesia de São Miguel e Almas, pela Lei Provincial nº 171, incorporou-se ao Município de Conceição do Serro (hoje Conceição do Mato Dentro), do qual se separou, em 1859, retornando ao Município do Serro Frio, face ao disposto na Lei provincial nº 1031.

Em 25 de outubro de 1875, foi sancionada a Lei Provincial nº 2132, que criou o Município, até então pertencente ao Município do Serro, com a denominação da Vila de São Miguel de Guanhães, tendo sido instalado no dia 9 de dezembro de 1879, sessão presidida pelo vereador Francisco Nunes Coelho.

Pela Lei Provincial nº 2766, de 13 de setembro de 1881 a vila foi elevada à categoria de cidade, com a denominação de Guanhães.

A Comarca foi instalada em 05 de maio de 1892, tendo sido seu primeiro Juiz o Dr. Edgardo Carlos da Cunha Pereira e Promotor de Justiça, Pedro Soares.